Jealous Feelings
tudo o que choca, ruboriza e cutuca a nossa inteligência.
Edson Fukuda e Mara Liz escrevem suas impressões sobre as boas coisas estúpidas da vida... seja em SP ou NYC.
tudo o que choca, ruboriza e cutuca a nossa inteligência.
Edson Fukuda e Mara Liz escrevem suas impressões sobre as boas coisas estúpidas da vida... seja em SP ou NYC.
Ed-Activity,
fui ao show mais exclusivo e fino da minha vida! Imagina que em quase 2 horas de music non stop, no MoMA, ninguém encostou um fio de cabelo em mim? Ninguém ficou empurrando ninguém, ninguém derrubou bebida no chão, ninguém girou a jaqueta no ar, ninguém fez xixi no chão.
E não é que o povo não dançava, simplesmente tinha espaço pra se mexer sem tocar nas carnes alheias. Eu sei que pra alguns isso é sinônimo de show boring, mas pra mim foi o paraíso. Quem quiser encostar que pegue trem na hora do rush da Metropolis e me deixe em paz fazendo boing boom tschak!
Em MoMA-land tudo estava perfeito e minimalista, foi no pátio onde acontecem as performances, sabe? Cada sortudo que conseguiu entrar no computer world pôde comprar apenas 2 tickets e teve que apresentar identidade igual ao cartão de crédito na entrada. Numbers: 8 dias, um para cada álbum, $26.
A quantidade de senhores, calvos e ladies na faixa dos 50-60 era grande. Tinha até um quadrado reservado para quem foi ver os operators de cadeira de rodas, tem fã que não está podendo mais ficar muito tempo de pé. Outra coisa complicada era ficar com o óculos de grau, com o 3D por cima e ainda se equilibrar, hahaha!
Ralf Hütter, o único da formação original, tem 65 anos. Apesar das milhas que pedala no Tour de France, ele está barrigudinho e fica parecendo um sapo com o macacão colante e neon lights verdes. Ele cantou errado duas vezes, o público fingiu que não percebeu, mesmo que os membros da banda tenham feito cara de Geiger counter em Chernobyl.
O que mais me chamou a atenção no meio desse festival middle age foi um precioussss. Um menino de 9 anos, única criança da platéia, contava cheio de si que ouvia Kraftwerk desde os 2 e que já tinha pego a Autobahn. Todo o mundo quis tirar foto com o sweet boy - a cada clique ele repetia “I’m soooo popular!”. Durante o show ele ficou na minha frente: virou estátua enquanto o pai dançava igual ao robô do “Perdidos no Espaço” e disse que achou as projeções 3D meio fracas, of course!
No final eu ainda trouxe pra casa a edição limitada de “The Catalogue” - uma caixa com todos os álbuns, encartes e fotos raras, montada especialmente para o MoMA - a minha é nº 65.
We need a rendezvous,
Bye computer-love.
Blu Marine,
perdão pela ausência, perdão pela displiscência.
Meu nome agora é MMA, UFC, TUF, jabs, mata-leão, enfim… PORRADA!
Depois de velho, tomei gosto pelo lado tosco da coisa e, como diz minha mãe, a gente pega amor por tudo nessa vida (“por isso, meu filho, fique bem longe de gente feia, pobre e burra!” Hahahaha).
O fato é que eu sumi e não tem desculpa que justifique essa falha de caráter, né não?
Mas, já que caguei no pau, bola pra frente e vamos ao que interessa.
Hoje aqui na terrinha, só se fala da compra do Instagram pelo Facebook. Juro que eu não entendo por que as pessoas ainda ficam chocadas com esse tipo de coisa. Todo mundo compra no “lodjinha” do ZuckZuck e depois não querem que o ZuckZuck seja o dono do campo, do bolinha e do máquina fotográfica!
Ah, faça-me o favor, bando de góis despeitados!
Mudando de assunto e, tocando naquele assunto levantado por você no último post, acabei de ler que a Gretchen e a Angela Bismarck vão se internar na próxima Fazenda. Até aí tudo bem… elas merecem se encarar todo dia de manhã com aquela formosura toda que Deus não deu e elas correram atrás… em vão.
A pergunta que não quer calar é: ”Conseguirão elas ficar 3 meses sem entrar na faca?”
Será que é seguro ordenhar vaca sem estourar os pontos detrás da cara?
Acho que não. Mas quem se importa, né não?
E toda vez que eu vejo a Gretchen na TV, eu penso que a Lara Flynn Boyle é pinto. Pinto deformado, mas ainda um pinto!
Nenhuma outra mulher no mundo moderno teve tanto êxito em se transmutar em ornitorrinco quanto a rainha do piripipi. E, cá entre nós, pra Raimunda-mor do mundo, rosto nunca foi prioridade, certo?
E, pra terminar, um causo espectacular que aconteceu com minha pessoa dias atrás: fui eu a uma livraria dessas que não tem mais aí em Manhattan atrás de uma sugestão de leitura.
Chego ao vendedor e pergunto: “O que você me sugere na mesma linha do Paul Auster?” (pergunta estúpida, eu sei…).
O vendedor: “Como assim? Algo na linha do Paul Auster?” (pergunta pertinente…)
Eu: “Ah, alguma ficção contemporânea, urbana, de gente bem-resolvida…, entende?” (resposta mentecapta, eu sei…)
Ele: “Tem esse aqui.” (E me entrega o último livro da Danuza Leão que ensina os desavisados a fazer mala pra esquiar e comer ostra).
E eu: “Mas… Danuza? Não é ficção e nem sei se é da mesma linha do Paul Auster…”
Ele: “É ficção e é ficção bem melhor que o Paul Auster, te garanto!”.
Eu meio besta: “Bom… e esse da Diana Vreeland, então?”
Ele: “Ah, isso é Proust beeeem melhorado!”
Hahahahaha!
Tô sem entender até agora, mas confesso que não tive culhão de pagar pra ver. Quer dizer, ler!
Nessa toada, a biografia do Ricky Martin deve ser o Novo Testamento comentado pela Virgem Maria!
Missss you, my beloved Oscar Wilde de minissaias!
Ed, I missssss you!
Você desapareceu completamente da minha timeline, foi algo que eu te fiz ou que deixei de fazer?
Enfim, passar dos 40 é isso, não saber se era melhor ter feito ou deixado de fazer. Não sou do tipo que confia naquela frase “só se arrepende do que não se faz”, eu tenho um estoque de coisas que poderia ter passado sem. Agora imagina quando o assunto é um implante de silicone, uma plástica ou um botox ? Tem coisa que não dá pra voltar atrás e então só nos resta a eutanásia.
Lembra do Kenny “we’ve got tonight” Rogers? A marca registrada dele sempre foi os olhos de lagosta, fez o eye-lift, abriu os olhos e agora não se reconhece mais e nem gosta do que vê. Virou um zumbi dele mesmo.
Essa semana todo mundo postou a nova cara da Lara Flynn Boyle, ela tem 40 e está desfigurada como a Donatella. Se arrependimento matasse, ela já teria cortado fora a mão do cirurgião que fez aquela barbaridade e o teria feito engolir inteira!
Quando fui à ginecologista, a médica que apalpou as minhas “mamas” (odeio esse termo), disse que elas haviam perdido a densidade e que era hora de eu começar a pensar em silicone…
” Você está sugerindo que os meus peitos estão caindo? Pois se enxergue no espéculo que a sua cara fica bem melhor vista deformada! ” - disse eu para a douche-bag de xanas.
Indignada, mas ainda calma, a médica me explicou que toda modelo coloca silicone por volta dos 30, justamente porque a firmeza vai se perdendo, que ela estava me dando um conselho. Era o tipo de conselho que me faltava! Não vou tirar fotos para a Sports Illustrated e os meus peitos não estão caindo mesmo, tenho espelho e bom senso.
Por esse episódio se vê como a indústria da plástica funciona, até médico amigo ela tinha para me indicar, caso eu pusesse a mão na consciência e mudasse sabiamente de idéia. Só faltou falar que o meu marido agradeceria, hahahaha!
E com você? O proctologista já sugeriu dar uma puxadinha no cu? Let me know!
Beijos
Edarling, nessa data tão querida eu escrevo just to say thank you!
Eu falo que o seu aniverário é meu também, eu sempre comemoro. Há 7 anos a sua festa salvou a minha pele e fez com que um pesadelo terminasse mais cedo. E essa é só uma das pérolas, pois somos amigos há 17 anos e eu me belisco para acreditar, love U ♥
Finalmente voltei para a minha beloved land e tô tipo você em Nova York, achando tudo barato de marré-de-si! O mundo prestes a acabar e eu aqui, na capital do mundo, regulando mixaria? Nem morta! Estou comprando à rodo, não me canso de carregar sacolas, abrir caixas e pacotes. Nada como ficar 47 dias em São Paulo pra voltar feito turista tresloucada, com direito a chorar na ponte do Brooklyn e achar a Times Square linda, hahaha!
Eu desconfiava que ter vindo de Paris para NY não era boa coisa… Eu tratava a ilha sem o devido respeito e glamour, tinha ilusões de que São Paulo não era tão diaba quanto se pinta, mas minha quarentena me fez abrir os olhos, girar a cabeça em 360º e vomitar marrom bombom. A vida em São Paulo é muito dura, é inumana! Para suportar as agruras da cidade, é preciso ter sangue e casca de barata e eu perdi esse combo em Paris. Falando em barata, nem te conto! Antes comer no Raul’s, ao lado da Madonna, do que ver barata entrando no Z-Deli, cruzes! Não se faz mais comida kosher limpinha como antigamente…
Sabia que foi por verdadeiro milagre que não aterrissei em NY prenha de leptospirose? Fiquei presa numa corredeira entre a Haddock e a Tiête, água até o meio dos tornozelos e uma BMW 4X4 querendo passar justo onde eu tentava me equilibrar, tremo só com a lembrança! Se naquele dia eu já não tivesse o visto no passaporte, teria caído no choro ali mesmo, ou pior, teria deixado a correnteza me arrastar até a Estados Unidos, hahahaha!
O que importa é que depois de muito ter pirado, ficado sem eira nem beira, agora eu voltei e daqui não saio, daqui ninguém me tira nem amarrada! Me rendi totalmente aos encantos da Big Apple, só não caio de amores pelos rats, que descobri serem escandinavos - NY tem estilo até no esgoto!
Agora um brinde para você my friend, para a nossa amizade e always NY-NY. Cheers!
Mara Liz do meu coração,
depois da tormenta do final do ano passado e do começo esquisito deste, sinto que as coisas vão melhorar.
O ano do dragão é simbólico, né não?
Dragão: bicho que não existe mas assusta mesmo assim, bafo de fogo, inimigo do Jorginho.
Então que venha o dragão e carbonize toda a uruca, seja ela em forma de ação, de reação ou de gente!
E eu que soube que o ano do dragão costuma ser bom pra todo mundo menos pros que nasceram no ano do cachorro, no caso eu?
Isso porque não tem bicho mais antagônico ao portento do dragão do que o bonachão do cachorro.
Mas foda-se eu! E eu lá sou homem de acreditar em horóscopo chinês? Aliás, eu lá sou homem de acreditar em qualquer coisa que termine em “chinês”?
Não sou.
O importante é que o dragão vai nos proteger de tudo e de todos e o meu cachorro interno vai colocar o rabinho entre as pernas e, oxalá, te encontrar pra uma flanação daquelas bem boas pelo Chelsea em algum momento do ano do… dragão!
Kiss, luck, love.
Ed, my sparkling friend,
temo que o tal fenômeno a que você se referiu no post anterior tenha a ver com algum estranho “vírus” que tomou New York de assalto. Se vem do Oriente eu não sei, mas provavelmente é algum cujo prazer é ver o povo passar por maus bocados depois de muito se empanturrar.
Veja você: semana passada, um amigo se deleitou no brunch de um restaurante que alardeia ter sido frequentado pelo meu querido Allan Poe. A pocilga daqueles tempos melhorou muito, a beautiful Annabel Lee custaria a acreditar! Nem mais de terra é o chão e Poe ficaria abestado com a variedade de bebidas, capaz que não chegasse nem aos 40, hahaha!
O amigo em questão estava faminto como um gorila e arrebatou vários pães e queijos europeus, experimentou tipos de cafés nobres, ovos, bacon e ainda mordiscou uma tortinha de berries com crème chantilly, porque whipped cream ou creme de barbear dá na mesma… quer dizer, desconfio que o creme de barbear desperte mais o paladar.
Daí que ele comeu como um rei, se empanturrou até inflar e quando sentiu que estava esticado feito cuíca do primeiro grupo, acenou para a conta. Sim, ele estava rolando.
No caminho de volta ao Brooklyn, começou a se sentir incontrolável. Disse que era como se suas entranhas estivessem possuídas por um panapaná de fogo, louco para se libertar e incendiar o que aparecesse pela frente, ele estava assustado. Clamou pelo bom senso e afirmou para ele mesmo que não era uma criança remelenta e que poderia lidar com aquele momento, digamos, robusto, até chegar na segurança da sua brownstone.
- I can handle it-I can handle it-I can handle it!” - ele repetia dando pulinhos no vagão. Alguém havia dito que é preciso chamar a atenção do cérebro para outro movimento em situações limite como essa que ele vivia. Surtiu efeito durante parte do trajeto.
- AIAIAIAIAIAIAI! I can’T ANYMOOOOOOOORRRRRRRRRRRRRRRRRRR!!!
Ele queria ter podido gritar, mas foi apenas uma conclusão sufocada após sentir o panapaná como uma caimbra daquelas bem doídas, só que nos intestinos. Ofegante, ia de um lado ao outro em desespero, igual rato desgarrado que surta em vagão. Rezar começou a se fazer necessário, já que o metrô havia parado e ele, ainda com um fio de consciência, temia pelo pior dos piores!
Saltou uma estação antes do destino e correu… Correu achando que pudesse tão simplesmente fugir, mas tudo o que conseguiu foi sentir no jeans a violenta metamorfose do brunch, poor guy!
Com a pele desonrada, totalmente humilhado, ele procurou um caminho alternativo em que a sua identidade pudesse ser preservada.
- E se eu encontrasse alguém conhecido? - ele ainda lembra da situação apavorado - Eu teria que matar essa pessoa!
Um mendigo, aparentemente cordial, lhe ofereceu um moletom - ele me disse constrangido -, mas preferiu acelerar o passo e logo depois ouviu as gargalhadas do homeless, hahahaha!
Ele ainda se recupera psicologicamente desse momento extremo. Segundo ele, se não tivesse misturado várias qualidades de café, o panapaná não teria se transfigurado. Eu tenho as minhas dúvidas, não é por acaso que as borboletas mais raras são privadas do aparelho digestivo, comer sem medida é coisa de taturana.
Amarula my dear,
já recuperado das 10 mil milhas percorridas a pé entre upper, lower, east, west, bronx, brooklyn, queens, midtown, soho e afins, cá me encontro de volta aos mesmos problemas existencias de sempre.
Ontem mesmo jurei pra minha pessoa jamais, em hipsótese alguma, voltar a publicar piadas preconceituosas, duvidosas, escabrosas sobre raças, sub-raças, mãos-de-obra e que tais.
Esse povo do oriente não tem senso de humor, né não? Depois dizem que eu é que tenho espírito de porco! Hahaha
Mas agora Inês é morta e eu só sou pensamentos edificantes!
Pois bem. Não sei se você se lembra, mas enquanto lhe visitava, fui acometido por um fenômeno inédito na minha vida: revertérios insistentes e incontroláveis longe de casa, bem no quentinho de Manhattan.
É ou não é motivo pra comemorar?
Fiquei achando que se tratava de uma nova fase da vida onde, a cada ida a um fancy restaurant, um nó nas tripas fazia as vezes de climax da noite. Praticamente um “espoucar de champanhe” à minha muy suy generis maneira.
Qual o quê?
Volto pra cá e dou de cara com um mimo de nossa venerada Gabriela a me abanar o rabinho debaixo da porta: o novo álbum da Marisa Monte embrulhado pra presente pronto pra eu colocar na vitrola.
Enquanto desfaço as malas, vou escutando a Marisca cantar e um incômodo nos ouvidos e nas entranhas me fazem contorcer em plena sala.
A Marisca endoidou! Fez um disco com o espírito que baixou da Perla, se essa já tivesse ido se ver com o Deus dos paraguaios!
Até guarânia o disco tem! Fabuloso!!!!!
E as minhas tripas dando um nó bem lá na região média.
Não deu outra! E dá-lhe Moet-Chandon, Taittanger, Crystal… só coisa de boa procedência, afinal de contas!
Daí é que eu te digo: pode a gente almoçar no Pastis, pode a Marisa Monte servir de cavalo pra Perla… uma coisa é fato: eu ando fazendo mais cagadas hoje em dia do que nunca!!!!
Tô leve feito barriga de ganso!
See you later, alligator!
Ed, filho de Zeus, de boceta você gosta?
Buceta, como o povo brasileiro fala, não como os tugas, que pronunciam com “o”. Não falo da vulva em si, mas da palavra. Eu acho muito pesada, como mulher eu detesto, acho depreciativa. Essa coisa de Zeus ter enviado a boceta de Pandora pra danar com os homens é desgraça demais pra gente carregar sozinha nas costas, melhor dizendo, na xana. Só de pensar me dá uma sensação de inflamação, de purulência, de não querer abrir as pernas nunca mais porque vai foder, em termos de Zeus.
Me dei conta esses dias. Estava indo com uma amiga naquele shopping da Columbus Circle, quando ela me agarrou pelo braço, apontou para o alto e estrilou:
- Mara Liz do céu, esplendor dos anjos, o que é isso?
- Uma loja de coisas pra cozinha, você vai A-M-A-R! - disse eu, aproveitando a exaltação dela.
- Não, criatura de Deus - o que é essa buceta mal cortada? - indignada, a amiga falava de Eve, escultura de Botero.
- Esse homem odeia mulher, só pode ser isso! Aposto que Botero fez essa Eva como a buceta da mãe dele - dizia ela revoltada.
Se Botero odeia mulher eu não sei, mas que minha amiga não curte buceta, é fato. Pra mim, a representação de hipopodamas que Botero gosta de fazer não me atrai, mas que algo feio seja sinônimo de “buceta” me dói.
Ela pode ser mal cortada, fedida, o rascunho do inferno, mas mesmo que não os seja, vai continuar a ser uma buceta no sentido vil. A gente pode tirá-la do arenque, mas não o arenque dela.
A buceta não tem honra. Segundo Quintana, foi assim batizada por um marujo zarolho e perneta.
A buceta só é do caralho quando está dando. Mas é só no momento, depois ela tá fodida. Além disso, pode ser mal paga, a buceta é explorada.
Se você acha algo demais, poderá exclamar: “CARALHO!”, mas não faz o mesmo com “buceta”. Claro que “caralho” pode ser também algo ruim ou doloroso, mas em menor escala; geralmente se aplica com entusiasmo a algo positivo.
Buceta é pejorativo, é problema, é o feio, é o fim da picada. Ou alguém vê um show muito legal e diz que “FOI DA BUCETA!” ? Não, a pessoa diz que “FOI DO CARALHO!”. O “caralho” que é foda, a “buceta” é o lixo, é o que não vale nada.
E se alguém soltar “BUCETA CABELUDA!!!”, o melhor é sair de arrancada porque a coisa tá preta e pode sobrar. Eu tive uma chefe que toda vez que gritava isso, tacava o grampeador na cabeça de alguém, hahahaha!
Buceta não é o cu, buceta é cool! - ou pelo menos, deveria ser. Não é, caralho?
Beijos apertadinhos.
Maralíssima,
hoje foi um daqueles dias em que o braço fica roxo de tanto a gente se beliscar pra ver se não está delirando, sã?
Pela manhã, recém-acordado, fui acometido da prova cabal de que deus existe e, realmente, é um pândego.
Antes do galo cantar, eis que me toca a campainha um prestador de serviços que eu mesmo solicitei pra consertar umas coisas que vivem sem conserto aqui em casa.
Com uma cara meio de choro, meio de insone, o rapaz verifica o problema e, na constatação de que teria que trepar no poste lá da rua pra emendar uns fios, me vira com a seguinte frase:
“Hoje não tá fácil. Primeiro a mulher da minha vizinha morre; e agora eu tenho que trepar no poste”.
Como raríssimas vezes na vida, eu fiquei com cara de bunda sem saber o que falar depois desse petardo em jejum.
Vendo a minha gagueira matinal, o rapaz se explica: “A minha vizinha tem uma mulher… sapatona, tá ligado? Daí ela, quer dizer, a mulher dela, morreu ontem. Tava na moto, daí veio um carrão, deu uma cacetada na franchona e ela voou uns 50 metros. Foram ver, ela já tava empacotada lá se entendendo com Jesus”.
E eu: “Puxa, que triste”.
E ele: “É… o problema desse povo gay é que a gente só descobre que gosta deles, depois que eles morrem. É uma merda isso”.
E eu: “Hummm… pelo menos você descobriu. Antes tarde do que nunca, né não?”
Nisso, ele já tava trepado lá no poste, enxugando as lágrimas.
Daí eu te digo: isso foi uma declaração de amor de um homofóbico a todos os gays do mundo, confere?
Horas depois, com os fios religados e ainda comovido com o ocorrido, lembrei de alguns antepassados meus que também já foram se entender com Jesus, e concluí que todos os meus preconceitos já estavam na minha família muito antes de eu nascer.
Lembrei de uma piada ótima que aparecia em toda festa familiar lá nos idos dos anos 70, 80, quando a gente ainda podia rir da desgraça dos outros sem ser preso.
Nessa época, meus antepassados mijavam nas calças com a seguinte piada:
“Sabe a diferença entre japonês, chinês e coreano? Um raça, outro é sub-raça e o outro é mão de obra barata”. Hahahahha.
Obviamente que não vou dar nome aos bois e dizer quem é quem nessa cagação de regra. Mas que é engraçado, é. Pelo menos pra quem tem os olhos puxados e não é nem sub-raça e nem mão de obra barata. Hahahahaha.
Mas eu lembrei desse episódio familiar politicamente incorreto por uma razão bonita: com a globalização, não precisei esperar meus desafetos étnicos morrerem pra descobrir que eu adoro todos deles.
Toda vez que eu compro meus gadgets a preço de xepa, esse amor aflora tanto que eu tenho até vontade de chorar.
See ya babe.
PS.: Isso se eu não for me entender com Jesus antes.
PS.2: Ou for preso pelos crimes inafiançáveis dos meus finados parentes galhofeiros.
Ediamond,
já que ferro derrete ou enferruja, o bom mesmo é ser de diamante que bem lapidado brilha pra sempre, hahahaha! E você viu o novo objeto de desejo da galáxia, o planeta diamante? Tá pra aparecer coisa mais luxuosa, nessa os deuses arrasaram!
Quem não arrasou nada fui eu, preciso te contar o flop! Sexta passada, o Museum of Arts and Design, estreou uma mostra de filmes cujo tema é moda. A curadoria é do “embaixador criativo” da Barneys, Simon Doonan, e com certeza não deve haver no mundo uma nomenclatura mais imaginativa do que essa, me avisa! Bem, na abertura da mostra, absolutamente às moscas diga-se de passagem, não contei 50 pessoas na sala, me chamou a atenção uma senhora que você iria adorar. Com os seus 60 e tantos anos bem vividos no mundo fashion, ela envergava um kaftã longo, de polka dots azul, com o tarboosh no mesmo padrão, tava que tava! Pra melhorar ela era a cara da Nair Bello, eu me abanava sem parar.
Mas isso não tem nada a ver com a minha humilhação. Para abrir o evento, subiu no palquinho o próprio embaixador criativo, falou sobre moda e também da projeção que ele escolheu para abrir a mostra: “Qui êtes-vous, Polly Magoo?”. Todos os estereótipos do métier estão presentes no filme, estrelado pela modelo nativa do Brooklyn e musa de William Klein, Dorothy McGowan. Mais de 40 anos se passaram e nada mudou… Aliás, Dorothy desapareceu totalmente da vida, ninguém sabe, ninguém viu!
Pois bem, tudo corria normalmente, até o momento em que o embaixador criativo perguntou quem já havia assistido a um desfile de Alexander McQueen. Ed, quase metade daquela sala levantou a mão, eu quis morrer! Sabe aquela expressão francesa “ne pas mélanger les torchons et les serviettes” ? Nunca me senti tão torchon, se eu tivesse uma burqa na bolsa seria a deixa para vesti-la e me afundar pra todo o sempre! Nesse momento se traçou o perfil da nossa miséria fashion, no Brasil a gente sabe de cabeça quem já foi ao desfile do falecido, hahahaha!
E a Missoni pra pobre que a Target botou ontem pra vender ? Eu confesso que tenho uma scarfezinha legítima, toda brilhante e multicor, que raramente uso com medo de estragar, vai saber quando vou poder comprar outra, né? Então aproveitei a chance e consegui arrematar um lenço de sedinha fajuta, que foi tudo o que restou quando eu finalmente tive a sorte de entrar no site… Soube de gente que garantiu um par de sapatilhas dando uma joelhada na cabeça da adversária, tempos violentos!
Beijos brilhantes e muito diamante cor-de-rosa na sua vida!